Rodovias

Aos 70 anos, Via Dutra é uma das mais modernas e importantes estrada do país
19 de novembro de 2021 | Por Barufi Consultoria

Considerada uma das mais importantes estradas do Brasil, a Rodovia Presidente Dutra, ou simplesmente Via Dutra, já é uma senhora com mais de 70 anos. Por seus 402 quilômetros de asfalto, circulam mais de 87 milhões de veículos a cada ano. 

Quem hoje percorre de forma despreocupada o trajeto entre duas das maiores cidades brasileiras, nem sempre tem a dimensão da importância desta rodovia para o desenvolvimento do país. E do quanto a sua construção foi emblemática e desafiadora. 

Neste post, vamos falar um pouco sobre a história da Dutra, que ilustra o quanto o investimento em infraestrutura de transporte pode ser transformador. 

 

No início, a BR-2

BR-2 foi a primeira denominação da Via Dutra. A rodovia foi inaugurada em janeiro de 1951 pelo então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, que posteriormente passou a dar nome à nova via. Foi construída para substituir a antiga Estrada Rio-São Paulo, até então a única ligação por terra entre as cidades, que tinha somente 5 quilômetros asfaltados.

À época de sua inauguração a Via Dutra contava com apenas 338 km concluídos, sendo mais de 90% em pista simples, operando em mão dupla. Mesmo assim, já era considerada a rodovia mais moderna do Brasil. Somente em 1967 sua duplicação foi concluída.

A função da Via Dutra era ligar as duas cidades mais importantes do Brasil na década de 1950: São Paulo já era o centro financeiro do país e o Rio de Janeiro ainda era a capital federal. Mas a estrada cruzava ainda 34  municípios, e muitos deles experimentaram um boom de desenvolvimento a partir do asfalto da Dutra. 

 

Desafio de engenharia

Construir os 402 quilômetros da Via Dutra representou um desafio para a engenharia da época. Obstáculos naturais do trajeto, como banhados e áreas rochosas, exigiram a aplicação do que havia de mais moderno em tecnologia de construção à época para tirar a estrada do papel.

Entre os diferenciais de seu arrojado projeto estavam aclives e declives menos acentuados e curvas mais suaves do que o usual. O resultado foi uma estrada com 111 quilômetros a menos do que a antiga Rio – São Paulo. O tempo de viagem caiu de 12 horas para 6 horas.

 

Obstáculos

Alguns trechos da rodovia eram especialmente desafiadores. Um deles era o chamado retão de Jacareí (SP), cujo solo instável era considerado inadequado para a rodovia. Sua conclusão consumiu 12 milhões de metros cúbicos de terra, o equivalente a 1,6 milhão de caminhões cheios.

A transposição do trecho de rochas na Serra das Araras também foi emblemática. Para cruzar a região conhecida como Gargante de Viúva Graça foi preciso escavar 14 metros de um paredão de granito.

Os números que envolveram a construção da Via Dutra ainda impressionam, mesmo 70 anos após a sua conclusão:

  • 2.657.746 m² de pavimentação;
  • 1,3 milhão de sacos de cimento;
  • 8 mil toneladas de asfalto;
  • 20 mil toneladas de alcatrão;
  • 15 milhões de m³ de movimento de terra;
  • 300 mil m³ de cortes;
  • 7.021 m de extensão em 115 pontes, viadutos e passagens;
  • 30 milhões de m² de faixa de domínio.
Fonte: Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR)

 

Cargas e passageiros

Além de conduzir mais da metade do PIB brasileiro, a Dutra também foi palco de uma acirrada disputa pelo transporte de passageiros. Empresas como a Viação Cometa, a Expresso Br

asileiro e a Itapemirim investem pesado em veículos importados e até em serviço de bordo para conquistar clientes.

Nas décadas de 1980 e 1990, porém, o baixo investimento em manutenção resultou na deterioração da estrada. Além do custo logístico, a Via Dutra havia se tornado uma rodovia perigosa, palco de inúmeros acidentes. Para recuperar a estrada e garantir sua operação, em 1996  ela foi concedida à iniciativa privada, e a CCR NovaDutra assumiu sua gestão.

Após mais de 25 anos e R$ 22 bilhões em investimentos realizados, a Dutra voltou a ser uma rodovia modelo. Neste período foram construídos 94 km de novas vias marginais à rodovia e utilizados mais de 22,9 milhões de m² no recapeamento de suas pistas. E o índice de mortes registrad

os na estrada caiu 89,6%. Segundo a CCR,  somente em 2019, circularam pela estrada 87,5 milhões de veículos.

A concessionária  acaba de ter seu contrato renovado por mais 30 anos, por meio de licitação.  Neste período, deverá investir na Via Dutra e na BR-101, que integra o lote, R$ 14,8 bilhões.

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